lei e ordem

Toda vez que vejo autoridades discursando sobre a manutenção da lei e da ordem, um calafrio me percorre a espinha. Quem viveu esse tempo não deveria ter problemas de memória!


Marilena Chaui: informação e desinformação

O vídeo a seguir é parte de uma entrevista concedida pela filósofa Marilena Chaui em 2010.
Neste bloco ela explica a relação entre democracia e acesso à informação e como a mídia utiliza-se da manipulação da informação.
O autor deste BLOG não votou em Dilma e não é petista.
E, subtraindo o pedido de apoio que Chaui faz à eleição de Dilma, o vídeo é uma verdadeira aula para começarmos a refletir sobre a informação (ou notícia) que nos chega todo dia.


E depois do Pinheirinho?


Greve de policiais: o roto e o esfarrapado

E interessante como os partidos interpretam os fatos de acordo com sua conveniência. 
Frente a crise que se instalou na Bahia (hoje governada pelo PT), chovem acusações por parte de internautas e políticos ligados ao PSDB de truculência, insensibilidade, etc.

Mas, recordando o que aconteceu em São Paulo durante a greve da Polícia Civil, é possível perceber que a reação não foi diferente:


O autor deste blog não tem uma posição definida sobre greve de policiais. Tenho que confessar um certo desconforto quanto vejo sindicatos e correntes de esquerda chamando a solidariedade a esses movimentos. Não posso esquecer o comportamento destes "trabalhadores" frente a movimentos como o de professores, na desocupação de áreas ocupadas, como no recente caso do Pinheirinho, e um longo etc.

Por outro lado, é difícil ver as imagens de um governo dito de "esquerda" utilizando-se da força repressiva do estado ( o exército, no caso da Bahia) para sufocar o movimento.

O que é fato é que cada qual filtra os acontecimentos de acordo com suas conveniências políticas. Mas se não é assim, como deveria ser?

Como foi planejada a desocupação do Pinheirinho

Não conheço o autor do vídeo, mas ficou muito bom!


Casas do Pinheirinho são demolidas com móveis e pertences.

O video que postamos a seguir é uma reportagem do jornalismo da Record e mostra que os imóveis dos moradores do Pinheirinho foram demolidos sem que eles pudessem retirar objetos, móveis e pertences.



Mercado selvagem produzirá novos Pinheirinhos

Incêndios em favelas, desocupação de imóveis, demolição de imóveis na cracolândia (região central de SP), desocupação violenta do Pinheirinho (bairro pobre na região sul de São José dos Campos) são noticias que muitas vezes passam despercebidas da imensa maioria da população.

Mas, como naquele jogo infantil de ligar os pontos até que  formem uma figura, é possível notar a lógica que comanda esses acontecimentos: o aquecimento do mercado imobiliário e seus lucros fantásticos.

No caso de São Paulo, podemos visualizar a evolução do preço de imóveis em relação à inflação medida pelo IPC-FIPE utilizando o índice ZAP, um índice construído pelo preço dos imóveis anunciados num dos maiores classificados do país. A diferença é gritante:

Na cidade de São Paulo, considerado o período de janeiro de 2008 a jaheiro de 2012, enquanto o IPC-FIPE registrou uma alta de 24,1%, o preço de venda de imóveis saltou 126,5%!

No caso específico de São José dos Campos, onde a selvageria desalojou um bairro inteiro sob a alegação de ocupar área particular (o que é uma discussão à parte), o mercado apresenta o mesmo comportamento. Vejamos pelo índice divulgado pela consultoria Agente Imóvel:



Como se vê no levantamento, o segmento de imóveis com um ou dois dormitórios foi o que apresentou maior alta no período de um ano (32% e 19% respectivamente), sendo que no total, o preço de venda dos imóveis aumentou 18% naquela cidade no período de um ano.

Os números não deixam dúvidas: a lógica do mercado, aliada à influência que esse segmento tem nas diversas esferas de poder irá produzir, inevitavelmente, novos Pinheirinhos.

O Comendador e o jardim

Acompanhando toda a polêmica sobre o caso da desocupação truculenta da comunidade Pinheirinho, chamou-me a atenção o depoimento de um tal Comendador Bento, lá de São José dos Campos, que em entrevista ao jornal Folha de São Paulo afirmou que aquele local nunca deixou de ser produtivo, disse também que  havia vendido o terreno à empresa de Naji Nahas e lá existia um jardim, um pomar onde  eram produzidas frutas, e alguns animais de criação.
A foto abaixo é de 2004, registra o momento em que os moradores do pinheirinho limpavam o terreno.
Alguém consegue achar ai no meio do mato onde está o tal jardim do Comendador?


O Senhor da guerra não gosta de crianças.

Já dizia o poeta Renato Russo.
Todas as imagens a seguir referem-se a desocupação do  Pinheirinho em São José dos Campos.










Pinheirinho eviction

Largest urban occupation, São José dos Campos city, Brazil.
Subtitles clic "CC"
Filmagem, e entrevistas: Cristina Beskow, Yan Caramel, Gabriel de Barcellos
Edição: Jefferson Vasques



São Paulo profundo


Fomos buscar as razões histórico-sociais para explicar a verdadeira escalada do fundamentalismo que vivemos em São Paulo.
Assim como na América profunda, que a par de uma nação tecnologicamente moderna e cosmopolita convive um povo retrógrado e conservador, também temos nossos próceres da ética branca, nacionalista e segregacionista, nossos verdadeiros pioneiros:  



Metro de SP chora, mas não é por #pinheirinho

Há uma semana a estação Consolação do metrô de SP ostenta uma portentosa cachoeira, mas não se trata de atração turística. Segundo o jornal Folha de São Paulo, o vazamento teve início em 21 de janeiro e ainda não foi sanado, baldes e rodos tem sido utilizados para minimizar o risco de acidentes.

Infiltrações fazem funcionários usarem baldes e panos para conter goteiras em estações do metrô de SP

Quem eram os moradores do Pinheirinho?

Após a desocupação do Pinheirinho em São José dos Campos, políticos e autoridades tem tentado justificar a ação truculenta desqualificando os que lá moravam: desocupados, vagabundos, traficantes e até oportunistas que já tinham onde morar e queriam casa de graça.

Levantamento do cadastro feito pela própria prefeitura e divulgado no portal Vnews (afiliada da rede globo) mostra um perfil diferente:

Para Lennon, McCartney e Rita Lee

Rita Lee: Esse tal de Roque Enrow



Construção irregular de pobre é ocupação, de rico é condomínio.

#pinheirinho em São José dos Campos

Barra do Sahy, São Sebastião

Estudo revela: #Pinheirinho não é caso isolado

As cenas da brutalidade do estado na desocupação do bairro do Pinheirinho em São José dos Campos, chamaram a atenção de muitos blogueiros para o tratamento que governos, notadamente do PSDB, tem dado à questão social.

Embora alguns defensores da medida tentem, o caso não deve ser reduzido a uma questão técnico-jurídica (que em si também é discutível).

Estudo de pesquisadores da Universidade do Vale do Paraíba revela uma verdadeira política de segregação espacial na cidade de São José dos Campos.

O artigo de Luiz Gustavo Forlin e Sandra Maria Fonseca da Costa pode ser conferido em:
 http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/geosul/article/view/15505

A pesquisa revela dados estarrecedores, primeiro desnudando a postura higienista da municipalidade, cuja politica habitacional remonta a meados da década de 90, com a política de desfavelização (remoção de favelas para áreas afastadas), passando pelo discurso anti-migratório (oferta de passagens) até a negação de acesso a serviços públicos universais a quem participasse de ocupações ilegais (creche, cesta-básica, socorro pela defesa civil, etc).

Outro aspecto revelado pela pesquisa e que chama a atenção é a desmitificação do perfil demográfico dos moradores: 80% eram moradores da própria cidade, mais da metade eram menores, e cerca de 20% estavam inscritos em programa habitacional.

A conclusão é contundente: a política higienista e de segregação espacial responde a necessidades ditadas pelo modelo capitalista e seu impacto no perfil  de transformação da cidade em um centro urbano. 

Jingle de campanha para governador de São Paulo

Após os casos de desocupação da cracolândia, desalojamento do Pinheirinho e declaração da CDHU de que problemas encontrados em casas populares recém entregues se deviam ao fato dos moradores não terem educação e originarem-se de favelas, sugerimos um jingle que servirá como uma luvar para futuras campanhas de nosso governador.


Política habitacional em São Paulo